Como Ler um Padrão de Costura Vintage
Como ler um padrão de costura vintage
A primeira coisa que faço quando encontro um padrão de costura antigo é abri-lo.
Não o envelope. Não a tabela de tamanhos. Não a descrição na frente.
O papel de seda.
Sei que isso parece um pouco ao contrário, mas, depois de colecionar padrões durante anos, continuo sem resistir a desdobrar aquelas folhas enormes e enrugadas. Há sempre um momento em que nos perguntamos se o papel vai sobreviver a ser aberto novamente.
As dobras contam a sua própria história. Um padrão que foi mal dobrado novamente, um canto rasgado, uma ténue marca de lápis onde alguém alterou a linha da cintura ou encurtou uma manga. Procuro sempre essas coisas. Um padrão completamente intocado é encantador, sobretudo se for raro, mas nunca os achei tão interessantes como aqueles que claramente tiveram uma vida.
Há normalmente um pequeno indício de que alguém esteve ali.
Um nome escrito no interior. Uma nota a dizer «alongar». Um retalho de tecido guardado no envelope. Uma vez encontrei um padrão com as medidas da proprietária original escritas no verso. Não era um padrão particularmente valioso, mas continuei a voltar a ele.
As peças costumam vir primeiro
É nas próprias peças do padrão que muitas pessoas desistem.
Espalhe-as e parecem um puzzle de papel. Uma manga parece uma forma curva e estranha. Um painel de saia parece demasiado pequeno para poder transformar-se numa saia. A tentação é pegar em tudo e voltar a colocar imediatamente no envelope.
Mas, assim que compreende as marcações, as peças começam a fazer sentido.
A linha do fio mostra como o tecido deve ser colocado. Os piques indicam quais as peças que devem ser unidas. As pences dão forma. Círculos, quadrados e triângulos assinalam tudo, desde bolsos a botões e pontos de correspondência.
Verifico sempre os piques primeiro.
São muitas vezes a forma mais rápida de compreender como a peça é montada.
Os padrões mais antigos podem ser um pouco implacáveis, porque partem do princípio de que o costureiro já conhece os fundamentos. As instruções podem simplesmente dizer «inserir a manga» e deixar muitas coisas por explicar.
Por vezes, os costureiros modernos consideram isto frustrante.
Mas também nos dizem algo sobre a época de que são originários. A costura nem sempre foi um passatempo. Para muitas pessoas, era uma competência do dia a dia, algo aprendido em casa e não numa aula de fim de semana ou num tutorial online.
O envelope (e por que motivo muitas vezes ignoro a frente)
Acabo por observar devidamente o envelope.
A marca é importante. Os colecionadores costumam ter os seus favoritos, quer o admitam ou não.
Algumas pessoas procuram padrões Vogue de designers. Outras adoram a praticidade da Simplicity ou as ilustrações familiares da Butterick e da McCall’s. Compreendo o apelo de todos eles, mas sempre me deixei distrair facilmente pelo grafismo.
Por vezes, nem sequer é o vestido que me leva a comprá-lo.
É a mulher que está ao fundo. O penteado. A carteira. Os pequenos detalhes estranhos que situam o padrão exatamente na sua década.
As ilustrações vendiam um sonho tanto quanto uma peça de vestuário.
O vestido no envelope parece sempre fácil de fazer. A cintura está perfeitamente ajustada. A gola assenta lindamente. O tecido cai exatamente onde deve.
O molde no interior pode exigir um pouco mais de paciência.
Tamanhos: nunca confie no número
É aqui que as pessoas se enganam.
A numeração vintage não é a numeração moderna. Um tamanho 14 dos anos 1950 não significa aquilo que alguém esperaria que significasse hoje.
Verifico sempre as medidas.
As medidas do peito, da cintura e da anca dizem muito mais do que o número impresso no envelope.
É tentador comprar um molde porque a ilustração é maravilhosa. Eu próprio já o fiz. Depois chega-se a casa e percebe-se que o tamanho está completamente errado.
Tecido, metragem e a surpresa ocasional
As sugestões de tecidos são uma das coisas de que mais gosto, porque situam um molde na sua época.
A viscose, a lã, o algodão, a seda, o nylon e os tecidos sintéticos mais recentes contam, cada um, uma parte da história.
Um molde dos anos 1940 que sugere tecido de lã para fato é completamente diferente de um molde dos anos 1960 que recomenda tecidos sintéticos de cores vivas.
Uma saia rodada parece suficientemente inofensiva no envelope. Depois lê-se a quantidade de tecido necessária e percebe-se que é preciso material suficiente para fazer várias peças de roupa modernas.
Já calculei mal as quantidades de tecido.
É um erro fácil de cometer.
A lista de aviamentos é outro pormenor que muitas vezes passa despercebido. Botões, fechos, colchetes, elástico, entretela, ombreiras.
Um casaco dos anos 1940 sem estrutura não teria a mesma forma. Um vestido de noite dos anos 1950 dependia muito do que estava por baixo, além do que era visível.
Instruções: às vezes úteis, às vezes não
As instruções vintage podem ser encantadoras.
Também podem ser ligeiramente vagos.
Já abri folhas de instruções e pensei: “A sério? É só isto que me estão a dizer?”
Um molde moderno pode dedicar várias páginas ao mesmo processo.
Os mais antigos muitas vezes não o faziam.
Mas eram escritos para um público diferente. Quem já soubesse costurar preencheria as lacunas.
A linguagem mudou com o tempo. As instruções tornaram-se mais longas, os diagramas melhoraram e os moldes tornaram-se mais acessíveis à medida que a costura passou de necessidade a atividade de lazer.
Nas décadas de 1960 e 1970, as empresas de moldes não vendiam apenas roupa. Vendiam criatividade.
As coisas que noto primeiro
As pessoas perguntam frequentemente o que torna especial um molde vintage.
Por vezes, é a raridade.
Por vezes, é o designer.
Por vezes, é simplesmente a peça de vestuário.
Para mim, normalmente é algo muito mais pequeno.
Uma folha de instruções dobrada ainda lá dentro.
A caligrafia de uma proprietária anterior.
Uma peça de molde cortada de forma ligeiramente irregular porque alguém estava a trabalhar depressa.
Gosto desses.
Não me importo com algum desgaste. Na verdade, geralmente até o prefiro. Um molde que foi usado transmite algo diferente de um que permaneceu intocado durante setenta anos.
Tem um pouco de vida.
É provavelmente por isso que ainda gosto de abrir envelopes antigos.
Gosto simplesmente de ver os vestígios de que alguém, em tempos, estendeu tudo sobre uma mesa, a decidir o que iria fazer a seguir.
Instruções e marcações dos moldes
Se está a começar a coser com moldes vintage, as instruções podem parecer um pouco intimidantes no início. Muitas vezes parecem muito mais breves do que os moldes a que estamos habituados atualmente, com menos imagens e não tanta explicação.
Mas não deixe que isso o desencoraje.
Os moldes vintage foram escritos numa época em que muitas pessoas aprendiam a coser na escola, com as mães ou simplesmente fazendo roupa vezes sem conta. As instruções partiam do princípio de que já conhecia o básico, por isso podiam ser bastante breves. Esperava-se que tivesse algum conhecimento.
Quando se habituar à terminologia, descobrirá que os moldes vintage são, na realidade, muito lógicos. As próprias peças do molde dão frequentemente tantas pistas como as instruções.
Ainda adoro folhear um envelope de molde antigo e ver todas aquelas pequenas marcações no papel de seda. Parece uma conversa com outra pessoa apaixonada pela costura de há muitos anos — alguém que dobrou cuidadosamente aquelas peças e as guardou, talvez depois de confecionar um vestido de que gostava particularmente.
Conhecer as marcações
A primeira coisa a fazer antes de cortar o tecido é observar atentamente as peças do molde.
Aqueles pequenos símbolos e linhas estão ali para o ajudar e, assim que souber o que significam, tornar-se-ão automáticos.
Piques
Os piques são as pequenas marcações nas extremidades das peças do molde. Servem para ajudar a unir tudo corretamente.
As mangas são um bom exemplo. Um único pique indica geralmente a parte da frente da manga, enquanto dois piques indicam normalmente a parte de trás. É um sistema simples, mas poupa muita frustração quando se tenta perceber qual é a peça que corresponde a cada lugar.
Alguns moldes mais antigos usam triângulos recortados em vez de marcações impressas, por isso não se surpreenda se parecerem ligeiramente diferentes dos moldes modernos.
Linhas do fio
A seta comprida impressa numa peça do molde indica a direção em que esta deve ser colocada sobre o tecido.
É tentador pensar que é apenas um pequeno detalhe, mas o fio do tecido afeta a forma como a peça cai. Ignore-o e pode acabar com uma saia torcida, um corpete que não assenta corretamente ou um tecido que se comporta de uma forma inesperada.
Dedicar um pouco mais de tempo ao dispor as peças compensa sempre.
Pinças
As pinças são um daqueles pequenos detalhes engenhosos que transformam um pedaço plano de tecido em algo que assenta lindamente.
Os moldes vintage assinalam frequentemente as pinças com pontos, linhas ou pequenos triângulos. Recomendo sempre transferir estas marcações cuidadosamente antes de coser, sobretudo em vestidos e blusas cintados.
Uma pence bem colocada pode fazer toda a diferença. São muitas vezes estes pequenos detalhes que conferem às peças vintage a sua forma encantadora.
Círculos, Quadrados e Outros Símbolos
Os moldes vintage têm muitas vezes pequenos símbolos espalhados pelas peças.
Podem indicar:
- onde devem ficar os bolsos
- onde é preciso fazer corresponder as peças
- onde começam e acabam os franzidos
- localização dos botões e das casas
- pontos importantes da construção
Cada empresa de moldes tinha os seus próprios pequenos hábitos, por isso vale a pena consultar as instruções antes de começar. Depois de coser alguns moldes vintage, começa a reconhecer estas coisas naturalmente.
Compreender Termos de Costura Antigos
Alguns termos de costura vintage parecem agora um pouco antiquados, mas continuam a ser usados por muitas costureiras.
Acomodar significa encaixar uma peça ligeiramente maior numa área mais pequena sem formar franzidos. As mangas precisam muitas vezes de ser acomodadas na cava.
Alinhavar ou prender com pontos largos significa usar pontos temporários para manter as peças unidas antes da costura final.
Costura de estabilização é uma linha de costura que impede que zonas como os decotes se estiquem.
Dar piques significa fazer pequenos cortes na margem de costura para que as zonas curvas assentem suavemente quando forem viradas.
Passar a ferro é talvez uma das palavras mais importantes na costura. Não significa simplesmente passar a ferro a peça acabada. Passar a ferro enquanto costura ajuda a dar forma ao tecido e confere ao seu trabalho um acabamento muito mais profissional.
O Meu Conselho para Começar um Molde Vintage
O principal conselho que daria é não ter pressa.
Antes de cortar o tecido, prepare uma chávena de chá, sente-se com o molde e observe-o atentamente. Verifique as medidas, leia as instruções e familiarize-se com as peças.
A numeração vintage é uma das maiores surpresas para quem está a começar a costurar. O número impresso no envelope não corresponde aos tamanhos de roupa modernos, por isso, consulte sempre as medidas do corpo fornecidas.
Se estiver a fazer algo cintado, especialmente um vestido ou um casaco, recomendo sempre fazer primeiro um toile. Pode parecer trabalho extra, mas é muito mais fácil ajustar uma peça de teste do que desmanchar horas de costura cuidadosa.
A Alegria de Costurar Vintage
O mais encantador nos moldes vintage é fazerem-nos abrandar.
Por vezes, é preciso parar e pensar. Por vezes, é preciso perceber o que o criador do molde original pretendia. Mas isso faz parte do prazer.
Estes moldes foram feitos para ser usados, não apenas guardados. Cada vinco no papel e cada marca desbotada recordam-nos que alguém se sentou um dia diante de uma máquina de costura e criou algo a partir destas mesmas peças.
Com um pouco de paciência, alguns conhecimentos básicos de costura e talvez uma chávena de chá ao lado da máquina, pode voltar a dar vida a estes moldes antigos.